Quarta, 17 Setembro 2014 15:53

Hérnia Umbilical

Avalie este item
(1 Voto)

O umbigo é a cicatriz parietal deixada pela inserção do cordão umbilical. O anel umbilical constitui um ponto de debilidade da parede abdominal. As hérnias umbilicais integram uma classe de hérnias ventrais, espontâneas ou congénitas, localizadas no umbigo. Geralmente espontâneas, ocasionalmente representam o reaparecimento ou a persistência de uma hérnia umbilical congénita e devem-se à falência do encerramento do anel umbilical após laqueação do cordão umbilical. Em cerca de 90% das situações, é um defeito adquirido que resulta diretamente de um aumento na pressão intra-abdominal.

As hérnias umbilicais no adulto constituem herniações indiretas através do canal umbilical, que é delineado posteriormente pela fáscia umbilical, anteriormente pela linha alba e lateralmente pelos bordos internos dos retos abdominais. Não obliteram espontaneamente como acontece nas crianças; pelo contrário, vão aumentando de tamanho.

Têm tendência a encarcerar e a estrangular, não resolvendo espontaneamente. O saco herniário pode conter omento, intestino delgado, cólon ou estômago. A reparação urgente é, frequentemente, necessária, pois o orifício herniário é demasiado estreito em relação ao volume do saco herniário, o que ocasiona estrangulamento.

Epidemiologia

Menos frequentes do que as inguinais, as hérnias umbilicais ocupam a terceira posição entre as hérnias mais frequentes no adulto. São relativamente comuns e, geralmente, desenvolvem-se na 4ª ou na 5ª décadas de vida. Mais de 90% ocorrem nas mulheres e quase todas são obesas e multíparas. A morbidade e a mortalidade associadas são importantes.

Fatores de Risco

A elevação persistente da pressão intra-abdominal propicia a formação da hérnia umbilical através da cicatriz umbilical. Esta pode ocorrer em situações que originam ascite: cirrose, insuficiência cardíaca congestiva ou nefropatia. Pacientes em diálise peritoneal também têm uma elevada incidência deste tipo de hérnias. Outros fatores predisponentes incluem: múltiplas gravidezes com trabalho de parto prolongado, obesidade e tumores volumosos intra-abdominais.

Sinais e Sintomas

Hérnias pequenas são assintomáticas ou produzem queixas esporádicas. O desconforto e a tumefacção são as manifestações mais comuns, mas a oclusão intestinal pode ser o quadro dominante. A hérnia é, usualmente, dolorosa devido à tração que proporciona em tecidos vizinhos à medida que aumenta de tamanho. Episódios intermitentes de dor tipo cólicas, podem ser provocados por oclusão intestinal incompleta. O repouso ou a redução herniária podem proporcionar alívio temporário da semiologia. A hérnia, quando antiga, não é passível de redução devido às aderências do omento ao fundo do saco herniário.

Diagnóstico

Clinicamente, o diagnóstico é, em geral, óbvio, traduzindo-se pela presença duma tumefacção ou protrusão umbilical que pode ser exacerbada através de manobras que aumentem o volume intra-abdominal, tais como a tosse, a manobra de Valsalva, o levantamento de pesos, a elevação da cabeça ou das pernas. Nos raros casos em que o diagnóstico não é evidente, pode lançar-se mão de estudos morfológicos da parede abdominal por ecografia ou tomografia axial computorizada.

Tratamento

O tratamento de qualquer hérnia umbilical deve ser cirúrgico dado o risco de estrangulamento. Convém distinguir dois tipos de hérnias cujo tratamento é completamente diferente. A abordagem deve ser conservadora em doentes com morbidades significativas. Mesmo nestes casos, a correção cirúrgica está indicada em casos de hérnia volumosa, risco iminente de rotura da pele, encarceramento e estrangulamento, sendo esta uma indicação para abordagem cirúrgica de urgência. As hérnias umbilicais em doentes de elevado risco cirúrgico são operadas sob anestesia local ou loco regional. O tamanho da incisão varia de acordo com o tamanho da hérnia. O saco herniário é isolado e o defeito aponeurótico isolado. O conteúdo do saco herniário é abordado de acordo com a sua viabilidade, optando-se por redução, se não comprometido, ou remoção, se inviável. Para defeitos herniários pequenos (< 2 cm), o encerramento da aponeurose é conseguido através de sutura na direção da menor tensão. A técnica descrita por Mayo é a mais usada.

Defeitos mais extensos são tratados mais adequadamente com a aplicação de próteses. Hérnias de volume considerável, quando tratadas com simples herniorrafia, acarretam taxas de recidiva entre 30 e 50% e só a reparação com prótese é eficaz. A pele adjacente não necessita de ser excisada a não ser que se encontre macerada, infectada ou necrosada. Por vezes, o resultado cosmético é melhor após remoção judiciosa do excesso de pele e tecido celular subcutâneo. Todos os doentes devem ser alertados para a possibilidade de ser necessária a exérese do umbigo. Se houver intenção de criar um novo umbigo, deve tomar-se cuidado uma vez que as recorrências acontecem na linha alba através do ponto de fixação do novo umbigo à aponeurose. Nos últimos anos, assistiu-se ao advento da laparoscopia na abordagem das hérnias umbilicais. A experiência é limitada mas em crescendo, pelo atrativo das vantagens inerentes às técnicas minimamente invasivas. As complicações pós-operatórias incluem o desenvolvimento de seroma, hematoma e infecção. O recurso a drenos aspirativos, colocados no plano retro muscular e subcutâneo, pode auxiliar a evitar seroma.

Estes doentes podem necessitar de internamentos prolongados devido a complicações respiratórias e cardiovasculares. Fatores relacionados com morbidade e mortalidade são o tamanho da hérnia, a idade do doente e as suas morbidades. Em indivíduos saudáveis, a reparação cirúrgica proporciona bons resultados. O estrangulamento herniário impõe uma cirurgia de urgência. O objetivo é tratar a complicação aguda, eliminando a oclusão intestinal. O tratamento das vísceras herniadas depende das lesões encontradas no decurso da intervenção, que podem motivar ou não ressecção intestinal. Neste caso, a reparação da parede abdominal é secundária, obtendo-se, habitualmente, por herniorrafia.

Fonte: Dr. José Davide - http://www.alert-online.com/br/medical-guide/hernia-umbilical

 

 

 

Lido 4534 vezes
Portuguese English German Italian Spanish

Depoimentos

Agende sua Consulta

Hérnia inguinal, Hérnia Epigástrica, Hérnia Umbilical, Hérnia Incisional, Hérnia de Parede Abdominal, Hérnia Femoral, Hérnia de Hiato em Curitiba