Hérnia Inguinal: Esteja Atento aos Sinais

Hérnia Inguinal: Esteja Atento aos Sinais

São os homens os mais atingidos pela hérnia inguinal, embora sem exclusividade. Dor é o principal sintoma, mas não é fator obrigatório, desta condição que está associada a uma deficiente formação de colágeno.

Uma protuberância na zona das virilhas e dor, mas nem sempre. É assim que se manifesta a hérnia inguinal, uma condição médica que acontece quando há uma fragilidade nos músculos abdominais, permitindo a passagem de tecidos moles. Por oposição a outros tecidos do corpo humano, como os ossos e a cartilagem, estes tecidos são constituídos essencialmente por elastina e colágeno, o que explica a sua flexibilidade. Devido à pressão sobre a parede abdominal, forma-se uma bolsa saliente no baixo-ventre, num ou nos dois lados, visível a olho nu e cuja dimensão depende da quantidade de tecido que existe no saco herniário.

Homens sofrem mais

A predominância masculina tem uma explicação: “A diferença deve-se à conformidade anatômica da bacia do homem, nomeadamente ao facto de o canal inguinal, ao longo do qual desce o cordão espermático, ser uma estrutura mais volumosa do que na mulher. A anatomia da mulher protege-a, na medida em que esse canal é quase vestigial”, explica o especialista.

Diferenças anatômicas

A origem desta diferença remonta à gestação. No feto masculino, após a formação no interior do abdômen, os testículos deslocam-se ao longo do canal inguinal até ao escroto, o saco que os vai envolver. Este canal fecha-se quase por completo após o nascimento, permanecendo apenas uma abertura mínima para a passagem do cordão espermático, isto é, a estrutura que alberga os vasos deferentes através dos quais circula o esperma. Se o canal inguinal não fechar adequadamente, fica vulnerável, podendo desenvolver-se uma hérnia. Este é um processo que não acontece no feto feminino, havendo menos probabilidade de o canal inguinal não encerrar por completo após o nascimento.

Mas há outras razões para a hérnia inguinal se declarar sobretudo no gênero masculino. Entre elas o facto do homem ter, em regra, uma atividade física mais intensa do que a mulher, o que aumenta as forças de pressão sobre tecidos e músculos. Ora, havendo uma fragilidade subjacente, cresce a probabilidade de desenvolvimento de uma hérnia.

“A teoria mais aceite quanto às causas da hérnia inguinal aponta para uma deficiente formação de colágeno. O colágeno é a base da resistência dos tecidos, aquilo a que se chama fibra”, adianta Paulo Martins. “Um tecido frágil mais facilmente cede se for sujeito a pressão sistemática”, acrescenta o cirurgião.

Sinais de alarme

O que está em causa é, portanto, uma relação de fragilidade-esforço. E é precisamente muitas vezes na sequência de um esforço que surgem as primeiras manifestações e as primeiras suspeitas de uma hérnia inguinal. “O primeiro sinal, às vezes, é uma dor na zona da virilha, sobretudo depois de um esforço muito violento. Mas também pode haver apenas desconforto, isto é, a dor pode ser insidiosa”, concretiza o especialista.

Uma saliência num ou em ambos os lados da virilha, junto ao osso púbico, é outra das manifestações, podendo tornar-se visível tanto após um esforço intenso, como pela simples contração abdominal desencadeada pela tosse, por espirros ou pelo ato de esvaziar a bexiga ou os intestinos.

Numa pessoa magra, essa saliência fica logo aparente; numa de peso normal, também se nota com facilidade. Já o mesmo não acontece numa pessoa com excesso de peso ou obesa, o que, em situações de ausência de dor, pode conduzir a um diagnóstico e tratamento tardios.

Quando procurar o médico

A existência dessa protuberância na pele deve suscitar uma consulta médica. “A pessoa deve procurar o médico, mesmo sem dor”, aconselha Paulo Martins. Em si mesmas as hérnias não são perigosas, mas existe um risco associado: com o passar do tempo a fraqueza da parede abdominal pode aumentar e, com isso, a hérnia. A consequência pode ser o estrangulamento de uma parcela do intestino ou mesmo da bexiga, com risco de vida. É que se o intestino ou a bexiga ficarem presos na hérnia “há compromisso da viabilidade” do órgão devido ao corte no fluxo sanguíneo. Nas situações mais graves, o estrangulamento pode causar necrose, com a morte dos tecidos a poder desencadear uma infeção na cavidade abdominal, o que configura uma situação de emergência.

Como é feito o diagnóstico

Em geral, segundo a experiência do cirurgião, basta um exame físico para se chegar ao diagnóstico, com recurso à observação e à palpação, não sendo necessários meios auxiliares. Em caso de dúvida, pode ser solicitada uma ecografia das partes moles inguinais para despiste de outras situações como a pubalgia, uma inflamação na mesma região do organismo

Cirurgia é o melhor remédio

Feito o diagnóstico, a cirurgia é o método indicado para tratar uma hérnia inguinal. Há exceções, precisa Paulo Martins: “São situações em que o risco da intervenção cirúrgica é superior ao benefício da operação, dado que envolve anestesia, seja ela geral ou não. É o caso de doentes cardiovasculares ou respiratórios graves, mas também de pessoas muito idosas ou muito debilitadas.” Nestes casos, a opção recai sobre a colocação de fundas de contenção, isto é, de um dispositivo externo que exerce compressão sobre a hérnia.

No que respeita à cirurgia, são duas as abordagens possíveis: a tradicional e a laparoscópica. O objetivo é o mesmo: reparar a hérnia, com a diferença de que, no primeiro caso, o procedimento é mais invasivo dada a necessidade de uma incisão na região inguinal.

A cirurgia pode envolver apenas a recolocação do intestino na cavidade abdominal e encerramento da parede muscular, mas na maior parte das vezes implica a colocação de uma prótese, que ao mesmo tempo que restitui a integridade da estrutura anatômica, impede a profusão do conteúdo abdominal.

Fonte: AdvanceCare.

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